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quinta-feira, 29 de abril de 2010

É difícil ser mulher!

Também não acho que seja muito fácil ser homem, mas enfim, não tenho tanto conhecimento de causa sobre tal assunto, nem me gera tanta mobilização assim, não em comparação às agruras femininas que refletem e influenciam diretamente no meu dia a dia.

É difícil não ter suas opiniões levadas em consideração quando você tem plena consciência de estar correta, é difícil perceber que outras mulheres também fazem o mesmo com você, preferindo concordar com a opinião masculina em detrimento da sua, mesmo que ela esteja completamente fora de cogitação.

É difícil expor ideias quando quem as ouve está condicionad@ a não respeitá-las pelo simples fato de você ser mulher, é difícil todo dia ter que conquistar espaços, delimitar posições, quando você praticamente faz isso sozinha, já que a maioria acha que você é louca por ainda não ter percebido a "enorme" quantidade de conquistas que a mulher já obteve.

Enorme quantidade de conquistas??? Hahaha, acho uma piada isso, conquista é uma denominação muito diferente de concessão, vários aspectos foram mudados por conveniência econômica e não por ser um direito que devesse ser respeitado e tratado como tal e por ser assim continuamos submissas e nos submetendo à opinião masculina, à escolha masculina, às oportunidades que nos são permitidas pelo mundo deles, criando a falsa impressão de estarmos evoluindo, crescendo, con-quis-tan-do.

Não posso dizer que NADA foi conquistado, apenas afirmo que foi muito pouco, pouquíssimo.

Estou chateada, isso não é novidade, nem deveria me incomodar mais com esse tipo de coisa, porém, abala e desorienta, principalmente quando se sabe a capacidade que se tem, mas não ser levada em consideração por uma questão de gênero, que nem sequer está bem definida, o gênero pode ser uma construção nada mais que histórica, assim como nossa evidente marginalização.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Anticristo - obra prima da misoginia

O novo filme de Lars von Trier comprova o que há muito eu suspeitava: a misoginia persistente do diretor.

Dessa vez ele se superou e realizou sua obra-prima, Anticristo se esforça bastante para comprovar a malignidade "existente" na essência de toda mulher, para corroborar seu pensamento discriminatório ele se utiliza nesse filme de textos medievais nas falas da personagem feminina fazendo com que se tenha uma visão distorcida do que aconteceu no período da inquisição por exemplo.

Outro aspecto que não enobrece em nada ser ele diretor e também escritor de Anticristo é que não há qualquer menção a isso, parecendo @s desavisad@s ser algo original.

Lars von Trier é polêmico e deve se sentir muito bem com isso, por mais que seu filme tenha sido considerado em Cannes por muit@s como afrontante, absurdo e desnecessário, é óbvio que isso gerou uma incrível atenção aumentando expressivamente a quantidade de pessoas que já o assistiram e ainda o assistirão, para se ter uma ideia pelo menos nesta primeira semana ele também (além da Fundaj, como de costume) está sendo exibido num Multiplex, no caso o do Shopping Recife, onde filme considerados "difíceis" não são "bem-vindos".

E este com certeza é um filme dificílimo, von Trier resolveu chocar em demasia, na minha opinião são apenas "enfeites" para que ele se realize manipulando, controlando, brincando de Deus. Trata-se com certeza de alguém com uma mente extremamente perturbada.

Por último, devo ressaltar que sua suposta qualidade como diretor também foi desmistificada.
Ele está cada vez mais repetitivo e facilmente advinhável, perdi a conta dos momentos nos quais de antemão eu já sabia o que iria acontecer ou o porquê de determinadas "charadas" que funcionariam como fatores de intrigante junção dos fatos, requerendo um repensamento de tudo que foi dito, visto, ouvido e feito. Nada disso adianta, é pura enganação.

Ou seja, filme dispensável ou muito pior servidor apenas de uma maneira ingrata e perigosa de tentar desqualificar a mulher fazendo dela um ser mal e vil.

Lars von Trier merece meu esquecimento e o limbo! E tenho dito.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Toda a indignação do mundo é pouca para transmitir o que sinto e penso sobre isso...

... portanto, agora prefiro reproduzir aqui texto da Socióloga Maria Dolores de Brito Mota que foi veiculado originalmento no site do Partido dos Trabalhadores-PT:

Segue:

Feminicídio ao vivo – o que nos clama Eloá

Maria da Penha Maia Fernandes – Inspiradora da lei Maria da Penha 11340 e Coordenadora de Honra da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas cem horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas como resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por causa de uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um tipo de dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira.

No Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de 1970, as denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens contra suas parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o instituto da defesa da honra, e desenvolveram-se ações de movimentos feministas e democráticas pela punição aos assassinos de mulheres.

A alegação da defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista da democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este tema vai emergir como questão pública, política, a ser enfrentada pela sociedade por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres.

O assassinato de Ângela Diniz em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi o acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a absolvição do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi uma reação pela defesa da "honra".

Na verdade, as circunstâncias mostravam um crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o relacionamento amoroso e a inconformidade do assassino com este fim. Essa decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade cuja pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o assassino. Outro crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont pelo seu ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram a campanha "quem ama não mata".

Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando, o assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou a iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O assassino, durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado, bateu na vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com um tiro na virilha, local de representação da identidade sexual, e na cabeça, local de representação da identidade individual.

Um crime onde não apenas a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega – o feminino. Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do corpo, da vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade, como o "extremo de um continuum de terror anti-feminino", incluindo várias formas de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança, acusações, agressões físicas, até alcançar o nível da morte pública. O que o seu assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o controle do corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá como sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como mulher (a submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o poder sobre ela – base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de poder, é um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima, premeditado.

Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings, estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato[i] é necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios de comunicação esse universo dos crimes do patriarcado.Esse é o caminho para os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas de violência de gênero contra as mulheres.

Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos direitos humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das Delegacias de Apoio às Mulheres – DEAMs, que hoje somam 339 no país, o surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros de apoio que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas, realizando trabalho de denúncia e conscientização social para o combate e prevenção dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como a retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão para agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A criação da Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres.

Mas, ainda assim as violências e o feminicídio continuam a acontecer. Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram vítimas de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em 2005, 118 mortes e em 2004, mais 105 casos[ii]. As mulheres estão num caminho de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do patriarcado continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos.

É preciso que toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as práticas que sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades, desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário social apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana.

O comandante da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no agressor por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?

Sobre a exibição em circuito do documentário o Aborto dos Outros aqui em Recife!

Fiz essa pergunta à Diretora do citado documentário em seu respectivo site de discussão:
http://www.oabortodosoutros.com.br/forum/viewtopic.php?f=1&t=27

Na segunda dia 20/10 fui assisti-lo na sessão de abertura da 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul: http://www.cinedireitoshumanos.org.br/

O tema é deveras importante tanto quanto polêmico por esse motivo elogiei a coragem da Carla Gallo em produzi-lo. Ela estava presente na abertura da sessão e falou sobre os problemas que está encontrando quanto à receptividade do seu documentário em diversas exibições, como era de se esperar o pensamento retrógrado ainda é o preponderante neste País.

Às mulheres cabe o direito de escolha sobre seu corpo e ninguém absolutamente NINGUÉM e nem nada, incluindo pessoas e instituições, podem interferir nisso é o eu acho!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Para calar a boca dos idiotas hipócritas...

... como já disse mil vezes, em várias ocasiões, para "n" pessoas, estou farta dos hipócritas, imorais... Todo aquele ou aquela que é vil e que de dentro de sua vileza maldosa torna o viver das outras pessoas muito mais difícil.

Praticam violências de todos os tipos, em todos os âmbitos de maneira arbitrária e até assustadora, tudo que mais querem é enfraquecer ainda mais quem se deixar levar por qualquer motivo que seja.

Estar frágil psicologicamente nos torna vulneráveis à tais violências, sejam ela morais, psíquicas e/ou sexuais, enfim, há um emaranhado de opções que o agressor(a) se utiliza para invadir, machucar e principalmente INTIMIDAR...

Posso agora estar citando inúmeros casos, até mesmo muitos que aconteceram e ainda acontecem comigo mesma, porém, toda essa fúria descrita em palavras neste exato momento, está servindo para enaltecer mais uma vez "A coragem de Joanna", em um mundo digno, que priorizasse o respeito, o entendimento e que acolhesse de maneira honesta e adequada as dores "dos outros", não haveria frases e pensamentos como:

  • "Ela (Joanna) está fazendo isso (incriminado um agressor) só para chamar a atenção, já que ela não ganha mais medalhes e blá...blá...blá..."

  • "Ahhh isso é invenção dessa menina, coitadinho do treinador"...

  • "Ela é uma pessoa egoísta, porque não esperou que velassem o falecimento do tio, para que então falasse sobre seus problemas...

São tantos os episódios cretinos e são tantas as falas rídiculas, que realmente fica difícil de enumerá-las... Denunciar o(a) agressor(a) se tornou algo que 0(a) vitimiza em nossa sociedade.

Ao invés de serem tomadas as medidas cabíveis de punição, as pessoas preferem fechar os olhos e acreditar que tudo não passa de invenção, dentro dessa ótica distorcida e sórdida que nos cerca quem passa por qualquer processo de agressão, acaba se tornando algoz, é culpado (a) sempre, quem é denunciado(a) se torna a vítima...

Até quando isso será assim? eu me pergunto constantemente, nós mulheres somos as que mais sofremos (em termos de quantidade) com esse fatores... Se somos assediadas é porque permitimos, pedimos por isso, porque usamos esse ou aquele tipo de roupa. Argumentam de maneira imbecil e dão crédito a inverdades ou simplesmente a coisas que não convém e sequer esclarecem o fato de ser alvo de agressões... São subterfúgios utilizados que encontram eco na pior característica que uma "pessoa" pode ter: a desumanidade...

Para calar de vez a bocarra assombrosa dos idiotas, lidemos com fatos...

Segue link...

http://www.pernambuco.com/esportes/nota.asp?materia=2008314121018&assunto=219&onde=1

P.S. Desculpem pela forma dura de expor tal assunto, porém estou em um ponto de minha vida que não admito mais qualquer tipo de violência, sem medo de falar e bater de frente, só quero justiça, enfim ainda acredito nisso!!!

Nadando realmente contra a correnteza...

terça-feira, 11 de março de 2008

Passeata hoje!

Mulher: passeata pede fim da violência

As mulheres olindenses saem em passeata nesta terça-feira (11), percorrendo várias ruas da cidade. O ato tem como principal objetivo conscientizar as mulheres sobre seus direitos e engajá-las contra a violência, o preconceito, o desemprego, entre outros. A concentração será na Rua Mariano Teixeira, em Peixinhos, próximo ao Nascedouro, a partir das 15h. O evento é uma realização da Organização de Luta do Movimento Popular - Olinda (OLMP) e da Associação das Mulheres Pedreiras do município.

Fonte: www.folhape.com.br

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Estudo inédito mapeia comunidades quilombolas - é Givânia com tudo!

Link da Notícia abaixo...

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=2008220080219&assunto=28&onde=1

Givânia Silva para quem não sabe além de irmã e prima de grandes amigas minhas, é uma pessoa deveras íntegra, que verdadeiramente luta e atua pelos ideais em que acredita...

Acho que faz cerca de 10 anos que sempre escuto falar dela e de sua força, como mulher, negra, quilombola... A encontrei apenas por 2 vezes, ao invés do mito, nessas ocasiões sempre reconheci a pessoa doce, gentil e atenta aos outros...

Foi com essas capacidades que essa mulher, repito: negra e quilombola, conseguiu ir tão longe...
Saiu de Conceição das Crioulas (Comunidade quilombola localizada na cidade de Salgueiro-PE, Givânia, foi a 1ª mulher de lá a adquirir Diploma Universitário) para ser vereadora de sua cidade, e depois disso, méritos reconhecidos, foi chamada para trabalhar na Seppir (Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) como Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais...

Ela faz parte daquelas exceções dignas de serem seguidas, aquelas pessoas que tanto "procuramos", (seres abjetos não fazem isso, procuram só o que inerente a eles, ou seja, o mal)
principalmente agindo e trabalhando em Organizações Públicas, ela é a MULHER!
Até indicada para o Nobel já foi, naquele Projeto - 1000 Mulheres para o Nobel.

Parabéns, Givânia por tanto esforço e coragem em tudo que faz, um dia apenas pessoas como você serão reconhecidas, não sei se neste mundo, mas em algum momento com certeza!

P.S. Ficarei devendo uma foto dela aqui no blog...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A Coragem de Joanna!

Primeiramente fiquei meio estática, estarrecida, sem entender bem o que estava acontecendo, só vi lágrimas e desespero, mas dessa vez a ficha não demorou nada a cair.

Em um mundo de tantos outros casos parecidos, em todos os lugares, sem distinção de raça, cor, credo ou o que os valham, não se pode tentar “maquiar” tal verdade, que pode ser aviltante, porém deveras presente, fazendo parte de qualquer cotidiano dissimulado e violento. Violência de quaisquer formas: permissiva, agressiva, verbal, sexual, “objetificante”!

Alguns cretinos que pseudo - vivem por aí, indiscriminadamente, também existentes aos montes, tentam mascarar e além de tudo incriminar e desconsiderar ainda mais a vítima, tentando desencorajar o surgimento e esclarecimento do público alienado ou que simplesmente fingir que nada disso acontece.

Pois, Joanna Maranhão enfim, foi a voz de muitas e muitos também, pois esse tipo de violação acontece e pode acontecer com qualquer pessoa, independente, daquilo que se denomina (conforme se estabeleceu culturalmente – ver Judith Butler) de sexos: masculino e feminino... Ninguém está imune! Isso é fato!

Para mim, não há dúvida de que tudo que ela afirma ter ocorrido realmente aconteceu, a mãe não ter acreditado, é uma das atitudes mais comuns, negar aquilo com o que não se sabe lidar é sempre algo mais fácil a ser feito.

Ao invés de massacrarem, com alguma frase do tipo: “isso é só para chamar atenção” ou “como parou de vencer as disputas, inventou essa história”.
É incrível a capacidade que algumas pessoas ( mais orcs?) têm de serem terrivelmente hipócritas.

Joana, só tenho a lhe agradecer por tamanha bravura, é necessária uma grande força, além de evidente coragem para enfrentar tal problema, todas as conseqüências e em diversos âmbitos...

Quisera eu, que mais “Joanas” e “Joãos” se descobrissem e não permitissem mais serem subjugadas (os) ou como diria Simone de Beauvoir (não em se tratando disso, mas cabe neste contexto muitíssimo bem) não serem alienados em si mesmos.

Sobre ela:
Joanna de Albuquerque Maranhão Bezerra de Melo é pernambucana de Recife, nasceu em 29/04/1987. Uma dos 4 filhos do casal Teresa Maranhão e Sílvio Pereira, Joanna começou a nadar no Clube Português de Recife, aos 3 anos de idade. Seus irmãos são Luiz Netto, Sílvio Jr. e José Henrique.

Site: http://www.joannamaranhao.com.br/

Mais outro caso:

http://www.pernambuco.com/esportes/nota.asp?materia=2008215135210&assunto=219&onde=1

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Descaso, desrespeito, humilhação, sinônimos de violência! Nós mulheres sofremos desses males e de tantos outros.

O caso da menina do PA que foi violentada de todas as formas possíveis: fisicamente, psicologicamente, moralmente, é degradante, repulsivo, gera até incredulidade, em mim particularmente, cada vez mais ódio, palavra forte essa, porém enfim é como me sinto.

Não importa se se tratava de uma menina... Poderia ser mulher, adulta, idosa...

Não importa se sã... Poderia ser demente, imbecil, até psicopata...

Não importa se disse algo... Se houve autodefesa, ou mesmo se foi presa de livre e espontânea vontade...

E muito menos importa que não haja outro lugar para que ela ficasse... Se o Estado não dá meios para que existam prisões suficientes, não poderia agir com ainda mais desprezo e incompetência...

E se o Estado não se disponibiliza a exercer seu papel, caberia às pessoas responsáveis nos diversos âmbitos tomar alguma atitude com um mínimo de consciência...

Então, se por último, esses tais “responsáveis” não fizessem absolutamente nada para impedir a sujeição, intimidação de quem quer que fosse, ao menos os “cidadãos” que tomassem conhecimento de tamanhas arbitrariedades, que até vissem de suas próprias casas, acompanhassem o sofrimento diário de alguém que de tão maltratada troca violência por comida, poderiam no mínimo denunciar, anonimamente até, mas nem isso?!

Estamos todas, absolutamente, sujeitas a opressões e infâmias desde nosso nascimento por talvez não termos sido “o filho” que tanto era esperado, ou então por termos que nos “enquadrar para vencer”, tal quais os homens, nos comportando com um determinado tipo de força, aquela que não permite choro, delicadeza e até discernimento...

Estamos todas, absolutamente, condenadas a termos e sermos muito mais do que vários homens juntos para conquistamos a liberdade desejada e necessitada, para alcançarmos aquele posto almejado, sempre temos que demonstrar muito mais competência, se isso não é um tipo de força, então o significado real perdeu-se...

Até quando? Continuaremos submissas a essas situações?

Até quando? Não defenderemos outras mulheres dos sofrimentos impostos pela sociedade quando pudermos?

Até quando lidaremos com todos os crimes, abusos e discriminações como se não existissem?

Eu não sei, gostaria de pensar que irá mudar algum dia, nem que seja quando o Sol estiver perto de ter fim, mas não acredito nisso, essa é a verdade, deixamos escorregar por nossas mãos, as oportunidades de sermos mais respeitadas com o passar dos tempos... Muitas vezes deixamos de lutar e conquistar o que é nosso por direito: dignidade e amor-próprio.

Há muitas de nós que não fazem sequer idéia, acham simplesmente que tudo deve permanecer como está e se contentam até em pensar que há lugares muitos piores que este nosso País, porém cabe a quem consegue enxergar de forma diferente, promover a mudança, se não do mundo como um todo, entretanto pelo menos daquele pouquinho do mundo que faz parte de si...

Eu tento e você???

sexta-feira, 23 de novembro de 2007