terça-feira, 16 de outubro de 2007

Crianças barulhentas e mal-educadas no restaurante

...
Era um sonho dantesco... o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
...

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
...
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .

E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!... ...
Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
...


(trechos retirados de maneira aleatória de “O Navio Negreiro” de Castro Alves)

Guardadas, é claro, as devidas proporções, desde os meus 13 anos, quando fazia o que se denominava naquele tempo de 8ª séria (isso em 1992), época em que tive que recitar por completo o poema referido acima, sempre que me acontece alguma desgraça qualquer, aborrecimento, chateação ou desespero puro e simplesmente, me vem à cabeça tais versos de Castro Alves... fazia algum tempo que isso não acontecia, já que estou mais serena e tranquila, “proximamente próxima” aos meus 29 anos, mas especificamente HOJE, não teve como não recordá-los.

Estava eu até bem disposta, considerando hoje ainda ser uma terça, muitas cousas a fazer e resolver, estava indo almoçar, embora deteste completamente sair de minha sala para o que quer que seja, pensava: irei almoçar bem rapidinho e voltarei para ler meus livros no horário que tenho de descanso...

Fiquei na fila, preparei meu prato, fui me sentar bem perto da porta de saída como de costume, tudo ia bem quando... apareceram aquelas crianças terrivelmente barulhentas, descontroladas e sem noção, por que não?! Que inferno! Pensei, vou ficar na minha e esperar que tudo passe, mas, qual não foi minha surpresa quando seus pais resolveram se sentar bem ao meu lado...
SOCORRO... gritos, correria, choramingado fora de propósito, tudo isso foi o mínimo, não pararam um minuto sequer, “não quero isso”, “quero aquilo”, “mamãe você prometeu”, “papai quero chocolate depois”, para alguns pode até parecer bem engraçadinho, e às vezes é mesmo, porém quando as crianças são fofas e têm um mínimo de educação...

Para finalizar quase me derrubam na saída, voltei muitíssimo contrariada e daí me veio os versos...

“Era um sonho dantesco”... Será que Dante ou Castro Alves se depararam com algo assim?!

2 comentários:

Anônimo disse...

Testando 123...

Fadi dos Dentes =B disse...

Eheheheheheheheh
Quero ver quando nascerem os SEUS pimpolhos como serão!